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Reportagem
Veículos (Bio)Agradáveis: O adeus ao petróleo?
por Ana Filipe  [2008.09.19]

Edição: 46
Tópico: Tema A

Desde o início do ano a gasolina e o gasóleo aumentaram cerca de vinte vezes. Com greves por um lado e corrida aos postos de abastecimento por outro, todos querem o mesmo: poupar! Aliada a esta questão, estão outros factores que têm servido de propulsores para muitas marcas. A ameaça de escassez das reservas de petróleo, as preocupações ambientais e as normas cada vez mais rigorosas quanto a transmissões, levam à procura de alternativas mais viáveis e sustentáveis. Se a necessidade aguça o engenho, no futuro dos transportes, o engenho será alternativo!

Muitas estão ainda em fase embrionária, mas as tecnologias limpas e renováveis, agora consideradas alternativas, serão no futuro a norma. Com uma previsão de aumento da frota mundial a chegar a um bilhão de automóveis em 2020, não é de estranhar que o petróleo aumente de preço, afinal de contas ele vai acabar. Enquanto esse dia não chega, vão surgindo veículos a que os mais cépticos torcem um olho e os visionários piscam o outro.

Substituição dos motores de ignição por compressão ou centelha pelos combustíveis limpos como células de hidrogénio, biodiesel, gás natural ou electricidade é uma realidade não tão distante quanto se possa pensar, havendo já diversos veículos em circulação nas estradas mundiais, comerciais e pesados incluídos.

Dos combustíveis alternativos existentes, o hidrogénio apresenta-se como a tecnologia mais limpa. Uma vez que o veículo expele somente água, a emissão de poluentes na atmosfera é zero. O motor eléctrico, alimenta-se com energia produzida numa célula de combustível, sendo contudo uma tecnologia extremamente dispendiosa, pois é alcançada através de materiais caros, tendo ainda uma escala de produção reduzida.

Já o biodiesel pode apresentar mais vantagens para e em Portugal. Com a possibilidade de ser desenvolvido no nosso país em regiões como o Alentejo, propícias ao cultivo do girassol, poder vir a ser uma alternativa não apenas para os transportes, como para o combate ao desemprego e à desertificação do interior do país. Embora em termos de poluentes, as emissões sejam as mesmas que as dos da gasolina do diesel, são em menor quantidade e o C02 que se elimina é capturado na atmosfera pelas plantas.

A produção de bio-combustíveis a partir de óleos vegetais, tem sido alvo de diversos estudos em todo o mundo, podendo também ser alcançado a partir de gordura animal. Á semelhança do diesel derivado do petróleo, o biodiesel funciona em motores de ignição-combustão, ou seja, não são necessárias quase alterações nos mesmos. Por ser mais lubrificante, este combustível alternativo aumenta ainda a vida útil dos motores.

Muito em voga e já com um nível de desenvolvimento elevado está o gás natural. Embora se apresente menos poluente que o diesel de petróleo, e mais barato para o consumidor, as suas reservas são igualmente finitas. Uma boa alternativa poderá passar pelo bicombustível, isto é, viaturas que trabalhem simultaneamente com gasolina e gás natural, e em que o utilizador faz a opção activando uma chave no painel da viatura.

Sistema semelhante para a mudança de motor têm os veículos híbridos que aos poucos se vêm afirmando, quase de forma tão silenciosa como quanto se movimentam. Funcionando com dois motores, um convencional, de combustão interna abastecido a gasolina, e outro eléctrico alimentado por baterias, é este último que se mantém em contacto com as rodas de tracção. O motor a gasolina só é utilizado quando o carro exige um esforço acrescido ou quando as baterias se encontram descarregadas.

Mudar para melhor, por nós e pelo ambiente, parece ser o mote, mas pode ainda demorar vários anos. Estas energias tornam as viaturas mais caras no acto de compra, e o retorno só começa (no mínimo) dois anos depois, um tempo que nem todos estão dispostos a esperar. Tal como os combustíveis fósseis, todas estas opções têm vantagens e desvantagens, mas mais difícil que alterar o seu lado negativo, parece ser alterar os hábitos enraizados no consumidor desde a época em que Henry Ford criou o seu modelo T. Seja como for, pequenos passos estão a ser dados, nomeadamente nos veículos de maiores dimensões…

Em Portugal

O gás natural é sem sombra de dúvida a grande aposta dos portugueses quando falamos de pesados movidos a alternativas ao petróleo.

De acordo com a Associação Portuguesa do Veículo a Gás Natural, circulam no nosso país um total de 377 viaturas, dos quais 314 autocarros e 28 camiões movidos a este combustível.

Nos pesados, têm sido as empresas de transportes de passageiros a dar o exemplo. Só a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) tem 255 viaturas MAN NL310CNG e NL233CNG, este último modelo também em utilização pelos Transportes Urbanos de Braga (TUB) com 16 autocarros. Mais a Sul, a Move Aveiro e a Carris Lisboa, têm em circulação, autocarros de piso rebaixado Volvo B10L.

No que toca a camiões, a Valorsul detêm 28 viaturas IVECO, que foram entregues aos municípios de Lisboa, Loures, Vila Franca de Xira e Amadora.

Estes números são ínfimos quando comparados com os quase 5,7 milhões de veículos a Gás Natural Comprimido que circulam por todo o mundo, abastecidos em cerca de 11 mil postos. Em Portugal, o abastecimento é um dos problemas, havendo apenas um único posto público em Braga. Porto, Aveiro, Lisboa e S. João da Talha são de uso privado e o de Bucelas está inactivo.

Várias são as marcas que têm vindo a desenvolver veículos comerciais e pesados utilizando tecnologias alternativas, contudo a chegada a Portugal ainda vai demorar alguns anos.

CAIXA: As opções…

1) O que é

2) Vantagens

3) Desvantagens

GÁS NATURAL

1) mistura estável de gases; combustível fóssil

2) - Económicas – custa cerca de menos 70% que o gasóleo; é um combustível de queima limpa, reduzindo a necessidade de manutenção no que diz respeito a trocas de óleo.

- Ambientais – menos poluente que o petróleo e o carvão; emissões inferiores

- Segurança – em caso de acidente, o GN evapora na atmosfera (evitando o risco de incêndio criado por poças de gasolina/gasóleo no chão)

- Um dos combustíveis mais seguros (não é tóxico)

3) - Embora o número de anos de consumo das reservas seja superior aos do petróleo, não são infinitas

- Não há uma rede de abastecimento convencional

- Reservatórios ocupam muito espaço nos veículos

HIDROGÉNIO (pilhas de combustível – fuel cell)

1) Elemento químico (hidrogénio com oxigénio do ar, produzindo electricidade e vapor de água)

2) - Menos emissões poluentes na produção de electricidade

- Rendimento elevado

- Silencioso

- Não dispõe de órgãos mecânicos, reduzindo os custos de manutenção

- Não produz vibrações

- Praticamente inesgotável

- Autonomia dos veículos superior à dos eléctricos

3) - Não há hidrogénio isolado na natureza (está sempre combinado com outros elementos)

- O processo de extracção do hidrogénio dos outros elementos liberta gases de efeito estufa

- Custo de produção e armazenamento elevado

- Autonomia do veiculo reduzida

- Veículos muito caros

- Em Portugal está ainda em fase de projecto

VEÍCULOS ELÉCTRICOS

1) Veículos utilizam um sistema de propulsão eléctrica, movido a baterias, que podem ser carregadas

2) - Desde que exista energia eléctrica, pode ser abastecido em qualquer lugar

3) - Baterias demoram muito a recarregar

- Baixa autonomia do veículo

BIODIESEL

1) Combustível obtido de óleos vegetais (principalmente girassol e colza) ou de gordura animal

2) - Energia renovável

- Menos emissões de dióxido de carbono

- Promove o desenvolvimento da agricultura

- Pode utilizar-se em motores Diesel (em mistura com o gasóleo ou puro)

- Biodegradável

- Não tóxico

3) - Cristalização em baixas temperaturas

- Emissões de nitrogénio elevadas

HÍBRIDOS

1) O veículo tem dois motores, um de combustão interna abastecido a gasolina e outro eléctrico, alimentado por baterias

2) - Autonomia superior à dos carros eléctricos

- Facilidade de abastecimento

3) - Nos casos em que as baterias são carregadas quando o motor de combustão é accionado, podem gastar tanta gasolina e ser tão poluentes quanto um carro convencional

MERCEDES

Ecologia e economia juntas sob a estrela

Hamburgo foi o palco de mais um Workshop da Mercedes-Benz. Com as tecnologias ecológicas como tema, a marca alemã apresentou as suas ultimas novidades aplicadas à gama de veículos comerciais ligeiros.

Um dos maiores portos da Europa foi o local escolhido para dar a conhecer na prática algumas das novidades dos comerciais Mercedes, durante os dias 12 e 13 de Junho. Visando juntar motores eficientes com a compatibilidade ambiental, a marca da estrela tem vindo a desenvolver diversas tecnologias ao mesmo tempo que se tem associado a parceiros estratégicos, para juntos alcançarem veículos mais limpos e cada vez menos dependentes do petróleo.

Três modelos Sprinter estiveram à disposição dos jornalistas para um teste-drive, cada um deles com um sistema bem particular: Híbrido, Gás Natural e Eco Start. Este ultimo é aliás a grande novidade. Ideal para o trânsito nas grandes cidades, ao colocar/retirar o pé, o motor automaticamente começa ou pára. De acordo com os testes feitos pela Mercedes, o novo sistema faz com que o consumo de combustível desça cerca de vinte por cento. Disponível para todos os modelos Sprinters CDI com motor de quatro cilindros e caixa de mudanças manual, Portugal vai ainda ter de aguardar vários meses para receber o primeiro.

Quanto à nova Sprinter 316 NGT (Gás Natural), apesar do motor ter uma capacidade de 115kW, os custos podem ser de menos trinta por cento do que num modelo igual mas com motor a diesel. Com uma larga gama de variações disponíveis, esta Sprinter a Gás Natural Comprimido pode assim adaptar-se às necessidades dos seus utilizadores regulares.

A Sprinter Plug-In Hybrid, para além da poupança, prima também pelo silêncio. Com dois motores, este modelo consegue percorrer mais de 30kms utilizando apenas o eléctrico e sem emissões.

Durante a Conferência de Imprensa, Dr. Sasha Paasche, Vice-Presidente da Mercedes-Benz Vans, dizia que "não faz sentido investir em melhorias que ninguém quer, mas os nossos clientes mostram-se preocupadas com o ambiente". A confirmar estas declarações, está a Hermes Logistik, uma empresa alemã que tem andado de mãos dadas com a Mercedes e as novas tecnologias. Ligados aos serviços de entregas, em 1994 adquiriram três viaturas movidas a baterias. Alguns anos depois, voltaram a fazer parte de testes, desta feita dos MB208 com motor de combustão a hidrogénio e movidos a gás. Desde Maio deste ano que têm vindo a usufruir das novas Sprinter Eco-Start.

Independentemente dos resultados destes e outros testes, Michael Gutzeit, do departamento de Comunicação da Mercedes Benz Van, garante: "o objectivo da marca é o mesmo que o futuro: zero emissões e eficiência máxima!". Caso para dizer que quando o céu é o limite, a estrela lá.

Aliada a esta questão, estão outros factores que têm servido de propulsores para muitas marcas. A ameaça de escassez das reservas de petróleo, as preocupações ambientais e as normas cada vez mais rigorosas quanto a transmissões, levam à procura de alternativas mais viáveis e sustentáveis.

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